Atelier de Jornalismo na Comunidade Terapêutica

15 Dez / Atelier de Jornalismo na Comunidade Terapêutica

Entrevista realizada à Dr.ª Sandra Sanchez, Directora Técnica da Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, para o “Jornal do Utente” no âmbito do Atelier de Jornalismo.

 

O Programa de Tratamento das Dependências na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas inclui actividades terapêuticas, educativas e ocupacionais. O tratamento destina-se a Utentes de nacionalidade Portuguesa ou Estrangeiros. Esta entrevista foi realizada no âmbito do Atelier de Jornalismo para o “Jornal do Utente”.

 

Jornal do Utente: Porque escolheu a psicologia?

Dr.ª Sandra Sanchez: Desde a minha adolescência que despertou em mim uma enorme curiosidade em entender quer a maneira de pensar das pessoas, quer em perceber o comportamento das mesmas.

Sempre tive uma grande apetência para ajudar os outros de alguma forma e percebi que era algo que gostaria de fazer na minha vida profissional.

As leituras e estudos de obras do “pai da psicanálise”, Sigmund Freud, aumentaram ainda mais o meu interesse para descobrir e explorar melhor esta área.

Aliadas estas duas coisas, o único resultado que poderia dar era a Psicologia.

 

JU1: Há quanto tempo é formada nessa área?

Dr.ª Sandra Sanchez: Desde 2003.

 

Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas

JU2: Poderia falar-nos sobre as características do trabalho de uma Psicóloga e como é o dia-a-dia na relação com os utentes?

Dr.ª Sandra Sanchez: O principal tema a ser trabalhado na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas da Dianova é a problemática das dependências. Nomeadamente, tratamento de drogas e álcool. O que por si só é uma área da psicologia com características muito particulares. Implica um trabalho de acompanhamento diário dos utentes e exige mais do psicólogo.

 

Nomeadamente, existe toda uma série de tarefas que é necessário assumir, tais como:

   > o apoio ou o acompanhamento psicológico e psicossocial.

   > o desenvolvimento de competências sociais.

   > o trabalho de prevenção de recaídas e de reabilitação.

   > o trabalho de gestão e mediação de conflitos.

   > e, sobretudo, estar o máximo presente para os utentes. O que, em suma, é um grande desafio.

 

E depois há também a parte burocrática e outras tarefas como articular com outras entidades, públicas ou privadas, os processos de admissão e reuniões de equipa. É realmente um trabalho bastante diferente do trabalho do acompanhamento psicológico individual em ambiente hospitalar ou em ambulatório e noutro tipo de instituições, e neste sentido é um grande desafio.

Equipa Multidisciplinar da Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas Dianova

JU3: Quais os principais desafios na sua área de intervenção?

Dr.ª Sandra Sanchez: Por um lado, o gerir e mediar conflitos, dar conta de toda as tarefas e trabalho no tempo estipulado. Por outro lado, das próprias características e problemas das pessoas com as quais trabalhamos. E, por fim, conseguir motivar e incentivar os utentes a cumprir os seus objectivos de reabilitação é, por vezes, uma grande batalha.

 

JU4: Lembra-se de alguma situação caricata?

Dr.ª Sandra Sanchez: Nos grupos terapêuticos, por vezes os utentes encenam algumas representações de situações reais, os “role play”, onde surgem situações engraçadas, sendo possível todos desanuviarem e descomprimirem.

Houve uma sessão em que um utente tinha que representar uma pessoa rude, mas acabou por “pedir licença” para ser indelicado, o que realmente bastante caricato dada a situação.

Atelier de Jornalismo, elaboração do “Jornal do Utente”

JU5: Este Atelier de Jornalismo insere-se nas nossas actividades ocupacionais. Quais as principais estratégias que o programa disponibiliza aos Utentes?

Dr.ª Sandra Sanchez: Estratégias para conseguirem lidar com as situações mais difíceis que se irão apresentar no dia-a-dia lá fora. Por exemplo, conseguirem integrar-se na sociedade e comunidade de uma forma mais saudável, mais adaptativa e mais funcional.

Todo o trabalho que é feito diariamente na comunidade terapêutica servirá para a sua reintegração lá fora, tal como a promoção da autonomia, o desenvolvimento de competências sociais, adquirirem rotinas e hábitos de vida mais saudáveis e adaptativos à realidade no exterior. O objectivo é que os utentes saiam daqui mais fortalecidos para lidarem com as situações de risco que poderão surgir após finalizarem o seu tratamento.

 

JU6: Quais as suas expectativas para 2020?

Dr.ª Sandra Sanchez: Em primeiro lugar, pessoalmente interiorizar e entrar neste mecanismo de trabalhar em contexto de Comunidade Terapêutica.

Através do meu conhecimento e formação, poder contribuir para uma melhor adaptação das pessoas, as quais já vêm de uma situação de desorganização. Por isso, é importante que nós, enquanto técnicos, possamos ajudá-las o melhor possível a reorganizarem as suas vidas. O meu maior interesse e preocupação será sempre em prol de melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dos nossos utentes.

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