16 Out / Erradicação da Pobreza – 5 Anos para Reescrever o Nosso Legado

Com apenas cinco anos restantes até ao final do prazo da Agenda 2030, os esforços globais para erradicar a pobreza (ODS 1) estão aquém do necessário. Descobre porque é que este é o momento decisivo para uma ação urgente, unida e inclusiva – e como governos, ONG e a sociedade civil ainda podem mudar o rumo da história.

Foto adaptada de Prado, via Unsplash
Faltam apenas 5 anos: Vamos deixar a pobreza vencer?
Imagina um mundo em que a pobreza é apenas uma nota de rodapé na história. Um mundo onde cada criança tem um futuro que não é determinado pelo código postal onde nasceu. Esse foi o sonho por detrás do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1 (ODS 1) – acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todo o mundo, até 2030.
Mas agora, ao chegarmos ao marco dos restantes cinco anos r, em vez de celebrarmos conquistas, enfrentamos retrocessos monumentais. De acordo com o Relatório de Progresso dos ODS 2025 das Nações Unidas, mais de 700 milhões de pessoas – cerca de 9% da população mundial – ainda vivem em pobreza extrema, sobrevivendo com menos de 2,15 dólares por dia.
Ainda mais alarmante: após anos de progresso, a pobreza está novamente a aumentar, impulsionada pela instabilidade económica, catástrofes climáticas e crescimento das desigualdades.
Por isso, perguntamo-nos: Vamos falhar com esta geração e com a próxima? Ou estamos prontos para agir, unir esforços e reacender a promessa global de acabar com a pobreza?
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A Realidade em Números: O Que os Dados nos Dizem
Embora governos e instituições tenham assumido firmes compromissos, a realidade pinta um quadro bem mais sombrio:
- → O Banco Mundial estima que mais de 100 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza devido à pandemia de COVID-19, com uma recuperação ainda lenta no Sul Global.
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- → Os eventos climáticos extremos poderão forçar mais 130 milhões de pessoas a cair na pobreza até 2030, afetando de forma desproporcionada mulheres, crianças e comunidades marginalizadas.
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- → Na África Subsariana, a pobreza extrema continua a ser a mais elevada, ultrapassando os 35%, apesar dos esforços de atores locais e internacionais
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Segundo o Relatório dos ODS 2025 da ONU, “o ritmo da redução da pobreza abrandou drasticamente”, e não estamos no caminho certo para alcançar o ODS 1 até 2030.
“A pobreza não é apenas falta de rendimento. É falta de liberdade, de oportunidade e de esperança.” — Amartya Sen, Economista e Prémio Nobel
O custo da inação não é apenas económico — é moral, social e geracional.
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A pobreza não é inevitável: é política, estrutural e evitável
É fundamental deixar de encarar a pobreza como um acidente de nascimento ou destino.
A pobreza é uma consequência de decisões tomadas — e de decisões que não foram tomadas.
A Dianova acredita firmemente que as populações mais vulneráveis — mães solteiras, crianças, migrantes e jovens — enfrentam exclusão agravada devido a lacunas nos setores da saúde, educação e emprego.
Além disso, serviços públicos subfinanciados, o acesso desigual à saúde mental e a discriminação de género reforçam ciclos de pobreza.
Só na Europa, mais de 95 milhões de pessoas correm risco de pobreza ou exclusão social, segundo a EAPN (European Anti-Poverty Network).
Não é por falta de soluções.É por não lhes termos dado prioridade.
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Existem protagonistas na luta contra a pobreza – vamos apoiar e potenciar o seu trabalho
Desde ONGs no Quénia até Portugal, existem organizações na linha da frente que já estão a fazer a diferença. A rede Dianova International, presente em 17 países, apoia programas de recuperação de dependências, empoderamento juvenil, saúde mental e inclusão social, todos cruciais para quebrar o ciclo da pobreza.
O Plano Estratégico de Comunicação 2025–2026 da Dianova destaca:
- → Inclusão, saúde mental e igualdade de oportunidades como pilares do desenvolvimento sustentável.
- → Apoio a atores da sociedade civil, especialmente aqueles que dão voz a mulheres, jovens e comunidades minoritárias.
- → Colaboração com organizações internacionais para influenciar políticas através de dados, advocacy e campanhas.
Estas organizações não se limitam a prestar serviços; estão a enfrentar sistemas de desigualdade e a reivindicar reformas políticas.
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“Com o projeto Insieme cresciamo – Juntos Crescemos, a Dianova Itália ofereceu formação gratuita a mais de 150 famílias, destinada a pais de crianças entre os 8 e os 18 anos, para prevenir dependências e comportamentos de risco.” – Dianova Itália
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“No Quénia, a Slum Child Foundation combate a pobreza nos bairros informais de Nairobi através de apoio educativo, formação profissional, proteção infantil e empowerment económico das famílias — atacando as causas profundas da privação e oferecendo às crianças e jovens um caminho para a dignidade e oportunidade.” – Slum Child Foundation
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“Com o Projeto Escola Multicultural, a Dianova Portugal proporcionou formação a 27 pessoas, incluindo pais e alunos migrantes ou refugiados, com o objetivo de facilitar a integração educativa e social na comunidade, promovendo o empoderamento e a inclusão comunitária.”
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Ainda Temos Tempo – Mas Precisamos de Acelerar
O ano de 2025 não é o fim, mas representa o último sinal de alerta antes de o motor da Agenda 2030 parar.
O que precisa de acontecer agora:
- Governo: Comprometer-se – Não Apenas Prometer
As políticas públicas devem ser reestruturadas para priorizar proteção social inclusiva, saúde universal, educação acessível e empregos dignos.
Investir 1% do PIB global em sistemas de proteção social poderia tirar até 150 milhões de pessoas da pobreza até 2030 (ONU DESA). - ONG e OSC: Assumir Lugar à Mesa
Organizações de base conhecem a realidade do terreno. Devem estar incluídas na formulação de políticas, não apenas como implementadoras, mas como parceiras iguais. - Setor Privado: Passar da Palavra à Ação
A responsabilidade social corporativa deixou de ser apenas um “extra”. É hora de modelos de negócio inclusivos, investimento ético e criação de empregos que empoderem, não explorem. - Académicos e Media: Informar e Transformar
A investigação e o jornalismo têm um papel poderoso na desmistificação da pobreza, no combate ao estigma e na influência da opinião pública. Precisamos de mais histórias que humanizem a pobreza e menos desinformação que criminalize os pobres. - Cidadãos: Mobilizar-se
Desde votar em políticas que promovam a equidade até doar tempo ou recursos, cada pessoa tem poder.
Erradicar a pobreza não é apenas tarefa de políticos – é uma missão de toda a humanidade.
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Vozes Influentes a Exigir Ação
“Acabar com a pobreza é uma escolha política. É tempo de os líderes escolherem a coragem em vez do conforto.” – Secretário-Geral da ONU, António Guterres
“A pobreza é uma negação dos direitos humanos. É tempo de deixarmos de gerir a pobreza e começarmos a erradicá-la.” – Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza
“Devemos investir na proteção social, nas crianças, nas famílias, na esperança.” – Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO
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Estas não são apenas frases inspiradoras.
São chamadas à ação concretas
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Reflexão Final
A pobreza é uma escolha coletiva – podemos pôr-lhe fim ou deixá-la persistir
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Não estamos apenas a correr contra um prazo. Estamos a correr para recuperar a alma do nosso futuro partilhado.
Sejamos a geração que não desviou o olhar.
Sejamos a geração que quebrou o ciclo.
Sejamos a geração que transformou a dignidade para todos de um slogan em um padrão global.
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Chamada à Ação: Junta-te ao Movimento
Se és decisor político, ativista, académico, CEO ou cidadão, tens um papel crucial:
- → Adiciona a tua voz à campanha #EndPovertyNow.
- → Apoia organizações que combatem a pobreza no terreno.
- → Pressiona o teu governo para cumprir os compromissos do ODS 1.
- → Desafia os sistemas que mantêm as pessoas excluídas.
Temos cinco anos. Não vamos desperdiçar nem mais um dia.
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Com a cortesia da Dianova International, este artigo resulta de uma tradução e adaptação do texto original, disponível aqui
