Jogos Online: o que os pais precisam saber e fazer?

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05 Jul / Jogos Online: o que os pais precisam saber e fazer?

Os pais precisam de saber tudo e fazer muito

Esta é a exigência actual de quem exerce funções parentais junto de crianças e adolescentes conhecidos como nativos digitais.

A realidade das gerações X e Y, a dos pais de hoje em dia, mudou. São diferentes em comparação com as gerações Z e Alpha. Os primeiros brincavam e socializavam exclusivamente na rua, os segundos têm a tecnologia como ferramenta essencial para socializar.

Neste cruzar de gerações há aqueles que dependem unicamente e exclusivamente de estar online para viver. Chamo a todos de Geração Cordão:

  1. Geração que não desliga;
  2. Não se autonomiza financeira e emocionalmente;
  3. Não desenvolve competências sociais, essenciais para entrada no mercado de trabalho.

Neste sentido, temos pais que têm de estar consicientes que quando são seguidores dos jogos online, estão a dar um modelo. E para aqueles pais que em oposição não se interessam e não conhecem o mundo dos jogos online, estão a cavar um fosso intergeracional.

No meio da adolescência e da pertença a um grupo de pares está a dificuldade dos pais se situarem. Se os pais têm interesse em saber do rendimento académico dos filhos, não terão também igual interesse em saber dos seus hobbies e participarem deles?

É este o desafio!

Por isso a pergunta do que os pais precisam de saber e fazer tem um desafio claro! Joguem com os vossos filhos desde tenra idade. Aprendam também a jogar. Desfrutem desse momento. Não façam do jogo um elefante no meio da sala, do qual não se pode falar!

Os riscos de não nos relacionarmos, de não compreendermos e chegarmos perto dos jovens são muitos. No caso dos jogos online, com ou sem apostas, o risco pode ser mesmo da dependência. Temos de ter consciência que o DSM 5 e o ICD 11, os dois manuais que são como um catálogo das doenças, reconhecidos pela comunidade cientifica internacional, apontam o jogo online como uma dependência, com critérios definidos, e muito próximos das outras dependências com substancia.

Esta dependência pode entrar na casa de cada família de forma silenciosa. Uma vez que os pais validam a permanência do jovem em casa, no quarto, no pc, sem perceberam que estão a validar uma só actividade na vida daquele jovem, que não inclui uma socialização presencial.

Sim, os jogadores ou gamers também socializam uns com os outros mas é só de forma digital, o que empobrece o seu leque de competências emocionais e sociais.

Como abordar o problema

Poderão existir, em pouca percentagem os pais gamers, que vão introduzir os filhos no mundo dos jogos online. Aí têm de ter em conta o perfil de vulnerabilidade dos filhos para os riscos de dependências; e outros pais que, num outro extremo, ainda acreditam que os filhos só usam o PC para estudar.

Os pais precisam de saber que jogos existem, os que os filhos jogam e como se jogam. Experimentar e a partir daí adequar e restringir os jogos que não são adaptados à idade dos seus filhos. Existem muitos adolescentes a jogar jogos que não são adequados para a sua idade, horas a mais do que é considerado saudável, e que por isso deixam de lado muitas outras tarefas essenciais para o seu saudável desenvolvimento, como a socialização.

O aborrecimento parece estar a ficar de fora das vivências dos jovens. A capacidade de fazer time out, de se deixar frustar, e de procurar outras formas de ocupar o tempo, que pode ser, entre muitas, uma das mais simples que será parar para refletir sobre o que viveu e planear o que vem a seguir, passou a ser cada mais difícil e infrequente.

Os pais poderão fazer a análise do tempo e do tipo de entretenimento que têm em família. Essa analise deverá permitir perceber o nível de digitalização da família. Um jovem nunca joga ou aposta online sozinho – há sempre alguém na família a dar-lhe essa hipótese. Seja por falta de uma regra/limite, seja por valorizar as suas capacidades digitais, muitas vezes em detrimento de outras igualmente importantes para o saudável desenvolvimento.

Pais informados e com experiência do que são os jogos online serão pais com mais hábeis para discernir o que é adequado para cada um dos seus filhos ao nível do entretenimento online.

Ivone Martins Patrão

Psicóloga Clínica, com Mestrado e Doutoramento em Psicologia da Saúde (ISPA-Instituto Universitário). Terapeuta Familiar e de Casal (SPTF). Desenvolve há vários anos intervenção clínica no Serviço Nacional de Saúde, com crianças, jovens e famílias, em especifico nos últimos anos na área das dependências da tecnologia. Docente e investigadora (ISPA-IU, Applied Psychology Research Center Capabilities and Inclusion (APPsyCI), com publicação de vários artigos científicos e livros. Geração Cordão – Consulta de comportamentos e dependências online.