17 Jul / Mais do que uma assinatura

Porque assinar o Manifesto #SupportNotStigma é um compromisso com a comunicação ética e a dignidade humana
Todos os dias comunicamos.
Nas conversas que temos, nas notícias que lemos, nas publicações que partilhamos nas redes sociais ou nas palavras que escolhemos no contexto profissional.
Nem sempre pensamos nisso, mas cada uma destas formas de comunicar contribui para moldar a forma como a sociedade olha para determinados temas e para determinadas pessoas.
Quando falamos sobre dependências, saúde mental ou outras situações de vulnerabilidade, a comunicação nunca é neutra. Pode:
- → Aproximar ou afastar.
- → Promover compreensão ou reforçar preconceitos.
- → Abrir portas ou criar barreiras.
É precisamente desta ideia que nasce o Manifesto #SupportNotStigma, promovido pela Dianova International no âmbito da campanha global #SupportNotStigma.
Mais do que recolher assinaturas, este Manifesto convida cada pessoa a assumir um compromisso com uma forma diferente de comunicar: mais ética, mais respeitadora e mais centrada na dignidade humana.
Mais do que apoiar uma campanha, é assumir um compromisso
O estigma continua a ser um dos maiores obstáculos enfrentados por quem vive com uma dependência.
O receio de ser julgado pode atrasar ou impedir o pedido de ajuda.
Os preconceitos podem dificultar o acesso ao emprego, à habitação, aos cuidados de saúde ou à participação plena na comunidade.
Os rótulos podem fazer com que uma pessoa seja vista apenas pela sua condição, esquecendo tudo o resto que a define.
Sabemos hoje que combater o estigma exige muito mais do que boas intenções.
Exige mudanças na forma como comunicamos, como representamos as pessoas e como construímos o debate público.
É precisamente esse compromisso que o Manifesto propõe.
Ao assiná-lo, cada pessoa afirma a vontade de contribuir para uma comunicação mais responsável, baseada na evidência científica, no respeito pelos direitos humanos e na promoção da inclusão.
Não se trata de prometer perfeição. Trata-se de reconhecer que todos podemos refletir sobre a forma como comunicamos e procurar fazê-lo de forma mais consciente e mais humana.
A comunicação influencia muito mais do do que imaginamos
As palavras moldam a cultura.
E a cultura influencia decisões.
A forma como falamos sobre dependências pode condicionar a opinião pública, influenciar políticas públicas, orientar práticas profissionais e determinar a forma como alguém é recebido quando decide procurar ajuda.
Por isso, a comunicação não é apenas uma questão de linguagem.
É também uma questão de saúde pública, de inclusão social e de direitos humanos.
Cada conversa, cada notícia, cada publicação nas redes sociais ou documento institucional pode contribuir para reforçar o estigma ou para o desconstruir.
Nenhuma mensagem é totalmente neutra.
Todas ajudam a construir uma determinada visão da realidade.
Um compromisso que diz respeito a todos
Embora a campanha tenha como foco principal a redução do estigma associado às dependências, os princípios do Manifesto são universais.
Destinam-se a profissionais de saúde, jornalistas, educadores, decisores políticos, investigadores, empregadores, comunicadores, estudantes e cidadãos.
Em suma, a todas as pessoas que acreditam que a dignidade humana deve estar presente também na forma como comunicamos.
Porque todos comunicamos.
E todos contribuímos, consciente ou inconscientemente, para criar ambientes mais inclusivos ou mais discriminatórios.
Uma assinatura que representa uma escolha
Muitas campanhas convidam-nos a assinar um documento para demonstrar apoio.
O Manifesto #SupportNotStigma vai mais longe.
Convida-nos a assumir um compromisso público com uma comunicação mais ética, mais humana e mais inclusiva.
É escolher colocar as pessoas antes dos rótulos.
A evidência antes do preconceito.
A inclusão antes da exclusão.
O apoio antes do julgamento.
Uma assinatura, por si só, não elimina o estigma. Mas milhares de pessoas comprometidas com esta mudança podem contribuir para transformar a forma como a sociedade fala, pensa e age.
É assim que as mudanças culturais começam.
Um compromisso que começa na forma como comunicamos
Acreditamos que promover uma comunicação ética e centrada na pessoa faz parte da construção de uma sociedade mais informada, mais justa e mais inclusiva.
Por isso, associamo-nos ao Manifesto #SupportNotStigma e convidamos todas as pessoas e organizações que partilham estes valores a fazer o mesmo.
Assinar este Manifesto é um gesto simples. Mas representa um compromisso com uma ideia poderosa:
As palavras podem perpetuar o estigma, mas também podem abrir caminho ao respeito, à inclusão e à mudança.
Porque mudar a conversa pode ser o primeiro passo para mudar vidas.
Assine o Manifesto #SupportNotStigma
Se acredita que a dignidade humana, a comunicação ética e a inclusão devem orientar a forma como falamos sobre dependências e outras situações de vulnerabilidade, convidamo-lo(a) a juntar-se ao movimento #SupportNotStigma.
👉 Assine o Manifesto aqui
Leitura recomendada
Antes de assinar o Manifesto, descubra porque é que a linguagem pode influenciar a forma como pensamos, decidimos e cuidamos.
Leia também o artigo: O Poder das Palavras no Combate ao Estigma
Referências
Kelly, J. F., & Westerhoff, C. M. (2010). Does it matter how we refer to individuals with substance-related conditions? A randomized study of two commonly used terms. International Journal of Drug Policy, 21(3), 202–207. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20005692/
United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC). Summary of the discussions of the informal technical consultation on stigma. https://www.unodc.org/documents/drug-prevention-and-treatment/CRP_on_stigma_ENG.pdf
Wakeman, S. E., & Rich, J. D. (2020). Stigma Reduction to Combat the Addiction Crisis—Developing an Evidence Base. New England Journal of Medicine. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMp2000227
