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04 Jun / Monitora Terapêutica no Tratamento das Dependências

Monitora Terapêutica: Como, Porquê e Para quê?

 

O meu desejo de ser colaboradora como Monitora Terapêutica na Dianova no Tratamento das Dependências na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas surge em 2007. Nomeadamente, quando termina o Projeto “Diz não a uma seringa em segunda Mão”, promovido pela Associação VITAE. A esta associação sentir-me-ei eternamente grata, por ter-me dado a oportunidade de ter a primeira experiência profissional na Área Social.

 

Durante 5 anos, exerci funções de Monitora, na Equipa de Intervenção de Rua. Prestávamos atendimento, encaminhamento, acompanhamento e Apoio Psicossocial à comunidade toxicodependente que vivia na rua. Paralelamente, exercia também a função de Técnica Responsável de Serviço Noturno, no Centro de Acolhimento ao Sem-abrigo Toxicodependente de Lisboa. O Centro acolhia na altura uma elevada percentagem da população Toxicodependente e Sem Abrigo.

 

Desde então, tive oportunidade de trabalhar em várias Respostas Sociais, enquanto Educadora Social. Mas ficou sempre a vontade e o desejo de saber de que forma, poderia enquanto pessoa e profissional de Educação Social, intervir na Reabilitação e Reinserção Social de pessoas adictas.

 

O/A Monitor(a) Terapêutico(a) no Tratamento das Dependências na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas

 

Em Fevereiro de 2018, a DIANOVA, dá-me essa oportunidade. De alargar, e pôr em prática os conhecimentos teóricos e práticos que tenho com esta população, em contexto de Comunidade Terapêutica. Gostaria de deixar aqui, desde já, um agradecimento especial, ao meu Colega Carlos Brullas. Particularmente, pelos seus ensinamentos e paciência que teve na minha adaptação e integração na equipa. Tal como aos restantes elementos da Equipa Técnica, com quem tenho o prazer de articular e aprender, no meu dia-a-dia.

 

Monitor Terapêutico na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas Dianova

Enquanto Monitora Terapêutica da Dianova, tenho como função acompanhar o utente no quotidiano da Comunidade. Desde o seu acolhimento, adaptação, integração, participação e empenho na dinâmica da comunidade terapêutica. Assim como assegurar que todos cumprem os horários, normas e regras vigentes na comunidade. Em Equipa, investimos na personalização do tratamento. Sobretudo, adaptando os objectivos do mesmo, conforme as expectativas, capacidades, situação social e história pessoal de cada um dos utentes.

 

Ao longo das diferentes fases do tratamento, procuramos responder às suas necessidades individuais, ajudando-os a recuperar a autoconfiança e apoiá-los no caminho da autonomia. Tentamos preservar e aumentar o potencial individual de responsabilidade e participação activa no quotidiano da C.T. Por um lado, para que possam atingir um maior nível de autonomia, e uma participação ativa no seu próprio processo de mudança. E, por outro, para conseguirem fazer escolhas responsáveis.

 

Pessoas-Profissionais que Tratam Pessoas Dependentes

 

A nossa intervenção torna-se difícil, na medida em que lidamos com pessoas. E que cada uma delas, quando nos chegam, trazem consigo, um misto de valores, vivências, emoções, aptidões e competências, há muito tempo “adormecidas” pelo consumo excessivo de substâncias. Assim como todos os problemas daí provenientes, sejam eles, laborais, familiares, com a justiça e até mesmo de saúde física e mental.

 

Numa primeira fase, de adaptação e integração do utente o utente restabelece o seu estado físico, regularizando o apetite, o sono e o seu estado psicológico.

> Escutamos os seus sofrimentos e angústias, procurando entender o que causa ou desencadeia os seus problemas.

> Ajudando-os a ter consciência dos mesmos.

> A reconhecer que tem necessidade de ajuda.

> A ter respeito por si mesmo e autoconfiança, através do treino e desenvolvimento diário de competências relacionais, de organização pessoal e ocupacional.

 

 

É importante que se vão habituando ao cumprimento dos horários e regras vigentes na Comunidade, para que se comecem a habituar às tarefas e atividades do dia-a-dia. Compete-nos ser persistentes, ouvi-los e motivá-los, levá-los a ver a importância que tem na nossa vida e enquanto elementos da sociedade, o cumprimento de regras.

 

Da Mediação de conflitos à importância do porquê das Actividades Ocupacionais

 

Enquanto monitores, somos diariamente, mediadores de conflitos, e contentores de emoções, temos de as saber reconhecer. Muitas vezes, por de trás de um comportamento menos assertivo de um dos utentes, ou um silêncio excessivo, pode estar um pedido de ajuda. Ao longo do tratamento, vai sendo exigido cada vez mais ao utente, que se envolva no seu processo terapêutico. Tendo, assim, cada vez mais responsabilidades para consigo e para com o grupo.

 

Enquanto Monitores, compete-nos também, sensibilizar e motivar os utentes para a importância das Atividades Ocupacionais. Estas são uma parte integrante do programa de tratamento. As Atividades Ocupacionais, permitem incutir/restabelecer, rotinas, horários e hábitos de trabalho. Algo que muitos dos utentes nunca adquiriram ou já perderam.

 

Numa última fase do tratamento, o utente começa a preparar o seu projeto de vida. Fica, assim, consciente das suas capacidades e das dificuldades que poderá encontrar na sua reintegração.

> Proporcionamos ferramentas e técnicas de procura de emprego, que lhes permita uma inserção plena no mercado de trabalho.

> E ajudamos no restabelecimento e/ou fortalecimento das suas relações sociais e laços familiares.

Factores importantes para o sucesso do tratamento, assim como a sua realização pessoal e profissional.

 

 

Dr.ª Rita Andrade, Educadora Social – Monitora Terapêutica, Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, Dianova Portugal.