Motivação para a Mudança | Tratamento das Dependências

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15 Abr / Motivação para a Mudança

Técnicas de intervenção e os seus benefícios no processo de mudança em Comunidade Terapêutica

Licencie-me em Psicologia na Universidade de Évora. Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde no Instituto Piaget de Almada. De momento, estou a frequentar uma pós-graduação em Neuropsicologia Clínica e Intervenção Neuropsicológica. Este artigo aborda as Técnicas de intervenção no tratamento das dependências de drogas e álcool e os seus benefícios no processo de mudança em Comunidade Terapêutica.

Enquanto membro estagiário da Ordem dos Psicólogos Portuguesa, o meu percurso na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas Dianova leva-me a crer que a motivação tem um papel central no que se refere ao abandono do uso de substâncias. Acima de tudo, grande parte das intervenções nas dependências tem com primeiro objetivo a motivação para a mudança.

A palavra motivação deriva etimologicamente do latim movere, que significa “mover”. A motivação é aquilo que leva o indivíduo o agir a fim de atingir um determinado objectivo. Neste caso, incitá-lo a adotar comportamentos e atitudes positivos.

 

A Entrevista Motivacional

 

A entrevista motivacional é uma abordagem focada na mudança de comportamentos, especialmente em indivíduos que revelam ambivalência. Nesta abordagem são empregues cinco princípios fundamentais no contexto da comunidade terapêutica. Nomeadamente:

> Antes de tudo, expressar empatia, isto é, aceitar e compreender o outro.

> Ao mesmo tempo, desenvolver a discrepância entre um determinado comportamento presente e os objetivos do indivíduo.

> além disso, evitar o confronto de forma a não gerar atitudes defensivas.

> Por outro lado, ajudar o indivíduo a compreender e a trabalhar a sua resistência à mudança.

> Por fim, fomentar a auto-eficácia através do desenvolvimento da crença de que o individuo é capaz de mudar.

 

Nessa medida, distinguem-se dois tipos de técnicas. Por um lado, as que são utilizadas para construir a motivação e, por outro, as que permitem fortalecer o compromisso com a mudança.

> No primeiro caso, levam o indivíduo a reconhecer o seu problema de adição, a mostrar interesse em mudar e a expressar preocupação.

> A segunda técnica consiste em antecipar e refletir acercar da mudança, dar um enfoque psicoeducativo. Bem como o desenvolvimento e ajuste de um plano que inclua metas e opções de mudança, sem menosprezar uma possível ambivalência.

 

O Processo de Mudança

 

O tratamento numa comunidade terapêutica conduz a mudanças estruturais e de forma integrada nas diversas dimensões do indivíduo. Mais propriamente:

> Aquisição de uma maior Autonomia e Responsabilidade.

> Reestruturação de pensamentos disruptivos e extinção de padrões de comportamento negativos que fomentam a necessidade do consumo de substâncias.

> Readquirir rotinas de autocuidado.

> Regulação de funções basilares como sono-vigília e alimentação.

> Maior tolerância à frustração.

> Promoção de competências relacionais de forma aos indivíduos serem capazes de estabelecer relações positivas e saudáveis.

> Relacionamento com figuras de autoridade.

 

 

Por outro lado, a existência de um espaço terapêutico individual é um instrumento fundamental. Quer na integração das diversas vivências do indivíduo, experiências que são muitas vezes percepcionadas de forma desintegrada e distorcida pelos seus mecanismos mentais, quer na construção da sua identidade.

É através dos diversos espaços integradores e promotores de crescimento que uma comunidade terapêutica pode contribuir para a conquista de autonomia. E ainda para o desenvolvimento de sentido de responsabilidade, promoção de competências sociais e emocionais. O objectivo final é suportar a delinearem um percurso realista para o futuro e a aceitação do indivíduo como merecedor.

 

Mestre Mafalda Coelho, 15 de Abril de 2019