Resiliência no Contexto da Felicidade Global -

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30 Mar / Resiliência no Contexto da Felicidade Global

Construir uma visão otimista e coletiva de resiliência baseada na perspetiva da Felicidade Global em conformidade com os ODS

 

Colocando a ênfase numa visão mais coletiva, para além da resiliência, podemos ainda estabelecer uma ligação com o bem-estar social, que envolve a perspetiva de Felicidade Global.

 

Desde que o termo Resiliência apareceu na década de 1980, o conceito tem sido usado no campo das Ciências Sociais e Educação.

 

Atualmente, existem mais de trinta definições diferentes, que pertencem a vários autores de diferentes tradições. Algumas delas têm tendências mais determinísticas baseadas na biologia de um indivíduo: Enquanto que outras tendências mais ambientalistas, destacam a interação entre um indivíduo e o seu ambiente.

 

O que é a Resiliência?

 

Entre as definições mais conhecidas, destacam-se as seguintes:

> Resiliência como um fenómeno exibido por indivíduos que evoluíram favoravelmente, apesar de terem sofrido alguma forma de stress ou risco grave no passado. (Rutter, 1993).
> A resiliência é uma capacidade universal que permite a uma pessoa, grupo ou comunidade prevenir, minimizar ou superar os efeitos nocivos das adversidades (Grotberg, 1995).
> É um processo dinâmico que resulta numa adaptação positiva em contextos de grande adversidade (Luthard, 2001).
> Ser resiliente significa que, além de recuperar-se [e.g. de uma dependência de droga ou álcool], um indivíduo é capaz de crescer a partir de uma experiência. Significa projetar-se sem negar o passado (Vanistendael, 2002).
> O ato de ser resiliente consiste em recuperar, seguir em frente após uma doença, trauma ou stress. É superar tempos e crises difíceis na vida, resistir e superá-los, a fim de continuar a viver a melhor vida possível (Manciaux, 2005).

 

Poderíamos continuar a enumerar definições e extrapolar sobre as distinções feitas por cada autor. Todavia, acreditamos que o que pode ser útil é ver as semelhanças entre cada definição proposta e quais os elementos que partilham, nomeadamente:

> Todas estas definições reconhecem que é mais ou menos uma capacidade humana universal.
> A ideia de stress, adversidade ou situação negativa está presente em todas as definições.
> Partilham a ideia de que o sujeito confronta algum tipo de adversidade.
> O resultado é uma adaptação positiva que proporciona uma maior sensação de bem-estar no indivíduo.

 

Fatores de proteção e risco e mecanismos de resiliência

 

Talvez valha a pena sublinhar que existem dois elementos diferentes ao conceber a resiliência que se reflete um pouco nestas definições:

> O primeiro elemento sublinha a procura de fatores de proteção ou de risco, o que facilitaria ou dificultaria o surgimento de comportamentos resilientes. Tal tradição foi mantida por autores até à primeira metade da década de 1990.
> O segundo elemento é que o conceito de resiliência está ligado à identificação de mecanismos e processos dinâmicos que o indivíduo constrói como uma forma de adaptação viável quando confrontado com uma situação adversa, e a ideia de se proteger dessa adversidade.

 

Compreender os fenómenos desta forma sugere-nos que a resiliência, para além de ser uma condição permanente, dependendo de fatores externos ao indivíduo, é a sua própria construção. Isto varia de acordo com os contextos e momentos em que ocorre (Saavedra, 2003).

 

Em última análise, se nos consideramos resilientes ou não é uma avaliação interna da sua vida.

 

É precisamente esta segunda ideia que oferecerá uma visão mais construtiva e otimista da resiliência, permitindo uma compreensão mais dinâmica e coletiva deste conceito.

 

Em conclusão

 

Colocando a ênfase nesta visão mais coletiva, podemos assim estabelecer uma relação com o bem-estar social, que envolve a perspetiva da Felicidade Global. Tal como alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU, o nosso ponto de vista é que a resiliência requer:

> trabalho digno, igualdade de género, produção e consumo responsáveis, paz e justiça social.

 

Autoria: Dr. Eugenio Saavedra Guajardo e Dra. e Dr. Ana Castro Ríos, colaboradores externos da Dianova Chile para o Dia Internacional da Felicidade (20 de março), cortesia Dianova International.

 

Saiba mais sobre o Índice Global de Felicidade.

 

Sobre a Dianova Portugal: o nosso objetivo é oferecer tratamento da dependência de drogas e do alcoolismo baseado em evidências científicas e com certificação em gestão da qualidade ISO 9001.

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