Uso problemático da cannabis: como podemos melhorar o Tratamento e a Prevenção? -

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31 Mar / Uso problemático da cannabis: como podemos melhorar o Tratamento e a Prevenção?

A Dianova realizou uma série de webinars sobre como melhorar e adaptar os programas para a prevenção e o tratamento do uso problemático da cannabis.

 

A Dianova organizou uma série de webinars com vários profissionais da área das dependências e outras partes interessadas sobre como melhorar os serviços dedicados à prevenção e tratamento do uso problemático da cannabis.

 

O estatuto jurídico da cannabis está atualmente no topo da agenda das organizações internacionais. No entanto, este aspeto não deve dominar as discussões. Há outras questões que devem ser tomadas em consideração e que exigem a ação das autoridades governamentais, bem como de outras partes interessadas envolvidas na conceção e implementação das políticas em matéria de droga. Devemos, em particular, enfrentar uma necessidade urgente: como adaptar e melhorar os serviços dedicados à prevenção e ao tratamento das perturbações do uso da cannabis.

 

Cannabis: a droga mais usada a nível global

 

A cannabis é de longe a droga ilegal mais usada a nível global. De acordo com dados do World Drug Report 2020, UNODC, estima-se que 192 milhões de pessoas tenham consumido cannabis em 2018. Tal representa 3,9% da população com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos. A segunda droga mais usada são os opiáceos com 58 milhões de pessoas.

 

Número de consumidores do ano passado (2018) – Fonte: UNODC World Drug Report 2020, Booklet 2, Drug Use and Health Consequences

 

Pedidos de tratamento em ascenção para o uso problemático da cannabis

 

Embora o uso de cannabis em si não seja necessariamente um problema, os dados do tratamento mostram que o nível de procura para o uso problemático da cannabis está a aumentar.

 

Devido ao aumento significativo nos últimos quinze anos na maioria das regiões como principal droga de consumo, tem-se constatado uma preocupação crescente na procura do seu tratamento. A idade média de primeira admissão para pessoas com consumo problemático é de 26 anos.

 

Alguns dos fatores que podem afetar o número de pessoas em tratamento por perturbações pela utilização da cannabis incluem:

> o aumento do número de pessoas que precisam de tratamento;

> alterações no sistema de referenciação do tratamento;

> alterações na sensibilização para os potenciais problemas associados ao uso problemático da cannabis;

> e na disponibilidade e acesso ao tratamento.

 

Tendências na principal droga no tratamento das dependências, por região em anos selecionados – Fonte: UNODC, respostas ao questionário anual do relatório, Relatório Mundial sobre Droga 2020

 

Tendo em conta isto, como proceder?

 

Como prestadora de serviços de tratamento das dependências, e como organização envolvida no acompanhamento e monitorização das políticas internacionais de drogas, a Dianova e a Universidade Complutense de Madrid realizaram um Estudo sobre o Regulação e Legalização dos Usos Terapêuticos e Recreativos da Cannabis e os seus Riscos Sociais e de Saúde relacionados com a Dependência. Este estudo científico serviu de base para atualizar o Posicionamento da Dianova sobre Drogas e em matéria de Políticas de Cannabis.

 

Além disso, a Dianova organizou uma série de webinars com vários profissionais da área das dependências e outras partes interessadas sobre como melhorar os serviços dedicados à prevenção e tratamento do uso problemático da cannabis.

 

O primeiro webinar foi realizado com alguns dos membros da rede Dianova, e o segundo com membros da Federação Europeia das Comunidades Terapêuticas (EFTC). Por último, está prevista a realização de um terceiro evento no decorrer da 64ª Sessão da Comissão das Nações Unidas sobre Estupefacientes CND – UNODC, no dia 15 de abril de 2021 (ver panfleto do evento).

 

Debate com membros da EFTC sobre o uso problemático da cannabis

 

A 17 de março de 2021 último, o webinar com membros da EFTC reuniu 48 participantes de várias regiões da Europa, a maioria dos quais pertencem à área de tratamento da dependência.  Quando questionados sobre quais os principais obstáculos ao acesso a programas orientados para a cannabis, as respostas variaram de não oferecer serviços suficientemente atrativos ou específicos, à falta de oportunidades de financiamento.

 

Foram discutidos temas muito diversos, incluindo:

> as relações entre a cannabis e outras substâncias (tabaco e drogas ilegais),

> comportamentos de risco (jogos online, jogos de azar, etc.),

> modelos de prevenção eficientes e boas práticas de organizações com vasta experiência de trabalho com o uso problemático de cannabis, etc.

 

Os participantes destacaram ainda como as perceções de risco são suscetíveis de variar em função das faixas etárias, e insistiram na necessidade de reforçar os serviços dedicados, especialmente para a população adulta.

 

Jesús Antonio Molina Fernández, Professor Associado da Universidade Complutense em Madrid, apresentou o estudo científico da Dianova sobre a regulação da cannabis e moderou a discussão. Em nome de Dianova, gostaríamos de lhe agradecer pela sua dedicação.

 

Havia muitas questões a abordar e a discussão foi animada, mas uma coisa que surgiu foi a vontade de alargar este debate Particularmente, em torno dos serviços de tratamento para a utilização problemática da cannabis, de modo a podermos adaptar-nos melhor à realidade atual com programas mais eficazes.

 

Se quiser enviar-nos alguma informação relacionada, por favor envie-a para rui.martins@dianova.pt .

 

Vídeo do evento sobre o uso problemático da cannabis e como podemos melhorar o tratamento & prevenção

 

 

Lucía Goberna-Lehmann

Com experiência em acompanhamento de políticas, defesa de interesses públicos e relações internacionais, Lucía tem formação académica em Ciências Políticas e tem trabalhado para organizações públicas e sem fins lucrativos em vários países. Lucía faz parte da equipa da Dianova International desde 2014. Está empenhada na participação da sociedade civil a nível da elaboração de políticas, nomeadamente a nível das Nações Unidas.

 

Sobre a Dianova Portugal: o nosso objetivo é oferecer tratamento da dependência de drogas e do alcoolismo baseado em evidências científicas e com certificação em gestão da qualidade ISO 9001.

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