Violência e Segurança em Meio Escolar

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05 Dez / Violência e Segurança em Meio Escolar

Campanha “UNA-SE” 16 Dias de Activismo para Acabar com a Violência Contra as Mulheres

Todos os anos, – num contexto de violência e segurança em meio escolar – estima-se que 246 milhões de crianças sofram de violência relacionada com a escola e as raparigas são as primeiras vítimas destas situações de abuso

As evidências demonstram que a educação das mulheres e jovens tem um impacto positivo no desenvolvimento económico, social, cultural e da saúde pública particularmente nos países em desenvolvimento. Quando as mulheres possuem educação, empoderam-se para participar na tomada de decisão familiar e na vida comunitária. E ficam melhor preparadas para proteger a sua própria saúde e a dos seus entes queridos.

Educar as raparigas tem um efeito multiplicador. Ao educar uma jovem, está a dar-se-lhe uma maior influência no futuro da educação dos seus próprios filhos. A educação das jovens beneficia a sociedade como um todo, incluindo:

  1. A própria jovem;
  2. A sua família e gerações futuras;
  3. A comunidade em que vive;
  4. O próprio país que retirará dividendos da educação da jovem em termos de redução da mortalidade infantil e da pobreza extrema.

Em resumo, a educação de uma jovem é essencial para o desenvolvimento das suas habilidades e aspirações e condição sine qua non para a sua independência. Por esta razão, investir na educação das raparigas é uma das mais inclusivas abordagens do desenvolvimento humano.

Os desafios extra-educação

Mesmo com acesso à educação, as raparigas continuam a enfrentar uma diversidade de desafios:

  1. Custos educacionais;
  2. Normas culturais e papéis de género (especificamente prescritos para as raparigas como ajudar na cozinha e nas tarefas domésticas);
  3. Casamento em idade precoce e gravidez na adolescência – responsável pelo abandono escolar de 15 a 30% das estudantes do ensino secundário;
  4. Violência com que se deparam na escola.

Violência de género na escola

Graças aos esforços das Nações Unidas, particularmente do programa Education for All, nunca tantas raparigas estiveram matriculadas como na última década.

Actualmente, enquanto que a comunidade internacional renova o seu compromisso com o 2030 Education Program, mais raparigas irão matricular-se no decurso dos próximos anos. Contudo, matricular-se não basta, é necessário que se mantenham na escola! E um dos maiores desafios que as estudantes enfrentam é a violência em meio escolar.

O Plano International define violência escolar como “qualquer acto sexual, físico ou violência psicológica infligida nas crianças dentro e à volta das escolas devido a estereótipos e papéis ou normas que lhes são atribuídas ou esperadas delas por causa do seu sexo ou identidade de género.” Este tipo de violência afecta centenas de milhões de crianças e todos os países do mundo independentemente das suas diferenças sociais, culturais ou económicas.

A dimensão do problema

A violência de género nas escolas constitui um sério atentado aos direitos das crianças, e ao direito fundamental de protegê-las contra todas as formas de violência, incluindo as na escola.

Tal violência pode ter consequências dramáticas:

  1. Na saúde física (distúrbios alimentares, abuso de substâncias psicoactivas, ferimentos, gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis);
  2. Na saúde mental (ansiedade, depressão, auto-mutilação, stress pós-traumático);
  3. Na progressão académica (baixo rendimento escolar, incapacidade de concentração, abandono escolar);
  4. Entre outras…

Infelizmente, este é um problema universal em que as raparigas são as mais vulneráveis.

De acordo com o Plan International, as estudantes de todas as idades sofrem repetidamente de assédio ou agressão sexual, discriminação baseada no sexo, intimidação física e psicológica e mesmo violação dentro da escola. Muitas reportam que foram publicamente humilhadas por agentes educativos simplesmente por serem raparigas.

As raparigas adolescentes reportam que algumas escolas não têm quartos-de-banho adaptados às suas necessidades. Muitas delas preferem não frequentar a escola durante o seu período menstrual.

Todas estas violências ocorrem principalmente em países em que a educação das raparigas ainda é considerada problemática, podendo os agressores ser colegas ou professores e outros agentes educativos.

Adicionalmente, esta violência não pára à porta da escola, ocorre no trajecto para a escola ou durante as actividades extracurriculares.

 

Violência e segurança em meio escolar

Percepções de Igualdade junto de Jovens Estudantes

De acordo com o estudo da Hear the Voices levado a cabo pelo Plan International sobre percepções de igualdade, muitos dos 7.000 jovens entrevistados indicaram que receiam pela sua segurança dentro e fora da escola. Em contrapartida, mais de 25% das raparigas reportaram que “raramente” ou mesmo “nunca” sentiram-se seguras no caminho para a escola. Dos 246 milhões de crianças que são vítimas de bullying todos os anos dentro e à volta da escola, as raparigas são de longe as mais vulneráveis.

Infelizmente, esta forma de violência permanece incompreendida, raramente reportada e raramente combatida. A falta de estudos está relacionada com diferenças socioculturais e com a classificação de violência que falha em relação à dimensão de género de forma significativa. Por exemplo, o bullying é considerado neutral porque afecta rapazes e raparigas. Todavia muitos exemplos de bullying são parte da violência de género e têm as suas raízes em contextos sociais e institucionais em vez de em desvios ou patologias individuais.

Este é o motivo pela qual a extensão do problema da violência de género escolar é ainda desconhecida, apesar da informação e número de incidentes reportados até ao momento indicarem uma urgência de acção.

De acordo com o relatório Hidden in Plain Sight da UNICEF, o ambiente escolar é abundante em diversas formas de abuso tais como:

  1. Bullying – um em cada três estudantes entre os 13 e os 15 anos;
  2. Assédio sexual;
  3. Maus tratos físicos;
  4. Cyber-bullying e outras formas de bullying homofóbico;

 

Prevenção da violência escolar

 

A educação é uma parte essencial do desenvolvimento social, emocional e psicológico dos jovens. Como tal, a escola é a instituição com o maior potencial de empoderamento individual.  Promove a igualdade de género e previne a violência contra as mulheres e as raparigas.

Ensinar adequadamente requer conteúdo educativo de excelência, tal como educação sexual completa que incorpora uma abordagem educativa não-estigmatizante, sensível ao género e aos direitos fundamentais. In Relatório Plan International UK We Want to Learn About Good Love promovido pela UNESCO.

O conteúdo do relatório deve servir como vector de mudança do comportamento individual e das normas sociais em torno da violência e igualdade de género.

O tema do relatório está desenhado para encorajar os estudantes. Questiona-os a ultrapassar a violência de género e a discriminação. Estes poderão identificar o que constitui abuso, bullying ou violência de forma a protegerem-se a eles mesmos e aos outros.

Finalmente, os jovens devem ter a oportunidade de obter uma melhor compreensão das diversidades de género e sexuais com vista a abordarem razoavelmente estas preocupações.

Saiba mais

#OrangeTheWorld #16days

Pierre Bremond

Comunicação & Publicações, Dianova Internacional