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22 Jun / Serviços de tratamento das dependências permanecem essenciais na pandemia COVID-19

À luz da actual pandemia COVID-19, a Dianova considera crucial que os serviços de tratamento das dependências de drogas e do álcool estejam em pé de igualdade com outros serviços de saúde.

 

Declaração da Dianova – A inesperada irrupção da COVID-19 por todo o mundo tem revelado o quão crucial é ter sistemas de saúde sólidos e bem preparados. A saúde e, em particular, a saúde mental são demasiado importantes para que qualquer Governo ou um de nós a ignore. E porque as dependências são um problema de saúde pública, os serviços de tratamento das dependências de drogas e do álcool são igualmente essenciais.

 

Muitos sistemas de saúde de países de elevado rendimento per capita estão à beira do colapso, já que os hospitais continuam a debater-se com uma vaga de infecções. No entanto, começámos a assistir a uma “queda substancial” dos casos na maioria dos países europeus e os governos estão a começar a tirar as suas próprias conclusões. Entre estas, salientam-se quer a necessidade de reforçar os cuidados primários e a telemedicina, bem como a necessidade de acabar com a dependência excessiva das cadeias de abastecimento dos equipamentos de protecção individual.

 

Impacto da COVID-19 nas pessoas com perturbações pela utilização de drogas ou álcool

 

A pandemia revelou inúmeras disfunções nos nossos sistemas de saúde e de prestação de cuidados sanitários. Disfunções estas que afectam principalmente as pessoas mais vulneráveis. Entre estas, as consequências relacionadas com o abuso de álcool e drogas e a pandemia da COVID-19 estão a ter um impacto particularmente significativo quer junto das pessoas com perturbações pela utilização de substâncias psicoactivas, quer das que se encontram em programas de tratamento das dependências.

 

De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas 2019, cerca de 35 milhões de pessoas são afectadas por perturbações pela utilização de substâncias. Como tal, precisam de serviços de tratamento e de redução de riscos. Os dados mais recentes disponíveis indicam ainda um número impressionante de mortes. 585.000 pessoas morreram devido ao consumo de drogas em 2017.

 

É provável que os desafios suscitados pelas restrições de ficar em casa tenham tido, ou ainda estejam a ter, efeitos negativos nas pessoas com perturbações pela utilização de substâncias. Por exemplo, regista-se um aumento do consumo de álcool e drogas, riscos de overdose e de recaídas.

 

Além disso, como enfatizado no relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, as pessoas que consomem drogas enfrentam riscos adicionais de infecção pela COVID-19 em comparação com a população em geral. Sobretudo, devido a factores de estilo de vida e a problemas de saúde pré-existentes. Salientamos, entre outros:

> a elevada prevalência de doenças pulmonares crónicas entre os utentes que se encontram em tratamento.

> doentes crónicos por VIH.

> infecções provocadas por hepatites virais e de cancros do fígado entre as pessoas que usam drogas injectáveis.

 

Necessidade de investimento em saúde mental e nos serviços de tratamento das dependências

 

Tedros Ghebreyesus, Director-Geral da OMS, referiu recentemente que “Estamos a assistir a um aumento de doenças de saúde mental como ansiedade, depressão e dependência de drogas e álcool. Todavia, apenas 2% dos orçamentos de saúde são destinados à saúde mental. É, assim, chegado o tempo para investir em saúde mental, porque não há saúde sem saúde mental”.

 

Para fazer face a esta lacuna, António Guterres, Secretário-Geral da ONU, apela aos Governos “um maior investimento nos serviços de saúde mental. Afectando pessoas e comunidades, problemas como ansiedade e depressão causam sofrimento, frequentemente exacerbado por estigma e discriminação”.

 

Adicionalmente, o Relator Especial das Nações Unidas sobre o direito à saúde ressaltou que, no actual contexto da COVID-19, as pessoas que consomem drogas tiveram de enfrentar – ou estão a enfrentar – necessidades específicas. Nomeadamente, devido à criminalização, ao estigma, à discriminação, à marginalização social e a maiores vulnerabilidades económicas e sociais. E não esquecendo a falta de acesso a habitação e a assistência médica adequada. O Relator concluiu enfatizando a necessidade de reconhecer os grupos vulneráveis ​​de pessoas que consomem drogas como sendo uma população de alto risco, de forma a mitigar a propagação da pandemia.

 

Aumento de violência doméstica, ansiedade, depressão, abuso de álcool e drogas durante a pandemia

 

Embora se estime que só cerca de um terço de todas as pessoas que consomem drogas sejam mulheres, estas últimas estão em maior risco de contrair VIH e sofrer de violência doméstica do que as mulheres da população em geral. Este fenómeno é susceptível de ser agravado nestes tempos de crise sanitária.

 

Por outro, esta crise está a ter um impacto negativo a nível de problemas de saúde mental. Estima-se que uma em cada quatro pessoas no mundo será afectada por perturbações de saúde mental a determinada altura das suas vidas. Consequentemente, estas perturbações psicológicas e/ou psiquiátricas estão entre as principais causas de problemas de saúde e de incapacidade a nível mundial. Principalmente as relacionadas com ansiedade e depressão.

 

Esta situação parece ter sido agravada pela pandemia, sobretudo no que se refere ao abuso de álcool e drogas. Por um lado, as medidas de confinamento e a recessão económica resultante afectaram negativamente a saúde mental de muitas pessoas. E, por outro lado, criaram novas barreiras para as pessoas que já sofrem de doenças mentais e de perturbações pela utilização de substâncias.

 

Os serviços de tratamento das dependências são serviços essenciais de saúde

 

As perturbações pela utilização de substâncias psicoactivas, lícitas ou ilícitas, implicam risco de vida. É por esta razão que os serviços de promoção de saúde, tratamento das dependências, redução de danos e reintegração social são mais necessários do que nunca. A combinação abuso de drogas e do álcool e COVID-19 revelou-se dramática. Receio de contágio, de perda de emprego ou rendimentos, entre outros factores, levaram a aumentos de ansiedade e traumas. Factores que, por sua vez, induziram ao aumento do consumo de álcool e violência de género.

 

Perante uma crise destas proporções, os profissionais de tratamento das dependências da rede Dianova têm levado zelosamente a cabo a sua missão e actividades diárias, multiplicando as acções de protecção preventiva.

 

As comunidades terapêuticas da Dianova que oferecem programas de tratamento da dependência de drogas e do alcoolismo tomaram precauções bastante rigorosas para manter os utentes e profissionais seguros. Para ilustrar, e seguindo as orientações das autoridades de saúde, salientamos, entre outros:

> a implementação de planos de contingência COVID-19 em todos os centros.

> o seguimento rigoroso dos protocolos essenciais de protecção de saúde e de segurança pelos nossos profissionais e utentes em tratamento.

> a suspensão de novas admissões e de visitas externas à Comunidade Terapêutica durante o estado de emergência.

 

No entanto, em muitos países, as autoridades disponibilizaram apoio insuficiente aos serviços de tratamento das dependências. Nalguns casos, determinados sistemas de saúde que inicialmente se supunha serem sólidos, não conseguiram fornecer equipamentos de protecção individual a estes profissionais, nem apoio financeiro para os adquirir.

 

Independentemente das difíceis circunstâncias, os nossos profissionais têm desempenhado as suas funções com inteligência e integridade, oferecendo ​​aconselhamento e apoio adequados a pessoas vulneráveis.

 

 

 

Campanha de sensibilização Dianova “Quando tudo está parado, alguns de nós temos de continuar!

 

Por ocasião do Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, a 26 de junho, a Dianova presta uma calorosa homenagem ao trabalho árduo, à dedicação e às atitudes inovadoras de todos os profissionais da área das dependências nestes tempos de incerteza.

 

Esta celebração proporciona a ocasião perfeita para reforçar e exigir que os serviços de tratamento da dependência de drogas e do alcoolismo passem a estar em pé de igualdade com outros serviços de saúde. E, por conseguinte, que recebam níveis semelhantes de atenção e de apoio.

 

Caso surja outra crise desta natureza, os serviços de tratamento das dependências não devem continuar a ser o parente pobre do sistema de saúde pública. A dependência de substâncias psicoactivas é um problema de saúde pública. Portanto, os serviços de tratamento das dependências devem ser considerados essenciais. Porque, tal como afirma o lema da nossa campanha:

Quando tudo está parado, alguns de nós temos de continuar.

 

Reforçar o tratamento do abuso de drogas e do uso nocivo do álcool “Não deixando ninguém para trás!

 

A rede Dianova opera a nível de serviços – em regime residencial e ambulatório – de prevenção, tratamento das dependências e reinserção social em vários países da Europa, Américas, Ásia e África. Países estes com variadas situações no que toca à pandemia.

 

Entre muitas lições, esta pandemia está a ensinar-nos a necessidade premente de reafirmar e defender o direito universal à saúde. Não Deixar Ninguém para Trás, como estabelecido na Agenda 2030, é hoje um imperativo ainda mais relevante. Particularmente, para a construção de um mundo em que todas as pessoas tenham a mesma oportunidade de atingir o mais alto nível possível de saúde e de bem-estar.

 

Todas as pessoas que vivem com perturbações pela utilização de substâncias têm o direito de serem cabalmente assistidas. Principalmente em tempos de emergência. Um direito que assiste também a todos os profissionais que investem as suas vidas ao serviço dos mais vulneráveis.

 

A dependência de drogas é um problema de saúde pública

Os serviços de tratamento das dependências são serviços essenciais de saúde

 

#AddictionServicesAreEssential

#WorldDrugDay

By Dianova in Noticias